quinta-feira, 13 de março de 2008

Pequenos gestos...

Hoje enviaram-me uma história que publico por me ter tocado muito.

" Um dia, quando eu era caloiro na escola, vi um miúdo da minha turma a caminhar para casa depois das aulas. O nome dele era Kyle. Parecia que estava a carregar os seus livros todos. Eu pensei: "Porque é que leva para casa todos os livros numa sexta-feira ? Ele deve ser mesmo um marrão. Como já tinha o meu fim-de-semana planeado (festas e um jogo de futebol com os meus amigos no sábado à tarde) encolhi os ombros e segui o meu caminho. Conforme ia caminhando, vi um grupo de miúdos a correr na direcção dele. Eles atropelaram-no, arrancando-lhe todos os livros dos braços e empurraram-no, de tal forma que ele caiu no chão. Os seus óculos voaram, e eu vi-os aterrarem na relva a alguns metros de onde ele estava. Ele ergueu o rosto e eu vi uma terrível tristeza nos seus olhos. O meu coração penalizou-se por ele. Então, corri até ele enquanto ele gatinhava à procura dos óculos, e pude ver lágrimas nos seus olhos. Enquanto lhe entregava os óculos, eu disse: "Aqueles tipos são uns parvos. Eles deviam era arranjar uma vida própria". Ele olhou para mim e disse: -Ei, obrigado! Havia um grande sorriso na sua face. Era um daqueles sorrisos que realmente mostram gratidão. Eu ajudei-o a apanhar os livros, e perguntei-lhe onde morava. Por coincidência ele morava perto da minha casa, então eu perguntei como é que nunca o tinha visto antes. Ele respondeu que antes frequentava uma escola particular. Conversámos todo o caminho de volta para casa, e carreguei-lhe os livros. Ele revelou-se um miúdo muito porreiro. Perguntei-lhe se queria jogar futebol no Sábado comigo e com os meus amigos, ele disse que sim. Ficamos juntos todo o fim-de-semana e quanto mais eu conhecia Kyle, mais gostava dele. E os meus amigos pensavam da mesma forma. Chegou a Segunda-Feira, e lá estava o Kyle com aquela quantidade imensa de livros outra vez. Parei-o e disse, "Diabos, pá, vais fazer o quê com os livros de novo? Ele simplesmente riu e entregou-me metade dos livros. Nos quatro anos seguintes Kyle e eu tornámo-nos melhores amigos. Quando nos estávamos a formar começámos a pensar na faculdade. Kyle decidiu ir para Georgetown, e eu ia para a Duke. Eu sabia que seríamos sempre amigos, que a distância nunca seria um problema. Ele seria médico, e eu ia tentar uma bolsa escolar na equipa de futebol. Kyle era o orador oficial da nossa turma. Eu provocava-o o tempo todo por ele ser um C. D. F. Ele teve que preparar um discurso de formatura. Eu estava super contente por não ser eu a subir ao palanque e discursar. No dia da Formatura eu vi Kyle. Ele estava óptimo. Era um daqueles tipos que se encontram durante a escola. Ele estava mais encorpado e realmente tinha uma boa aparência, mesmo usando óculos. Ele saía com mais miúdas do que eu, e todas as raparigas o adoravam! Às vezes eu até ficava com inveja. Hoje era um desses dias. Eu podia ver o quanto ele estava nervoso por causa do discurso. Então dei-lhe uma palmadinha nas costas e disse: -Ei, rapaz, vais-te sair bem! Ele olhou para mim com aquele olhar (aquele olhar de gratidão) e sorriu. -Valeu, disse ele. Quando ele subiu ao oratório, limpou a garganta e começou o discurso: "A Formatura é uma época para agradecermos aqueles que nos ajudaram durante estes anos duros. Aos pais, aos professores, aos irmãos, talvez até a um treinador. Mas principalmente aos amigos. Eu estou aqui para lhes dizer ser um amigo para alguém é o melhor e que se pode dar. Eu vou-lhes contar uma história. Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele contava a história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. Ele tinha planeado suicidar-se naquele fim-de-semana. Contou a todos como tinha esvaziado o seu armário na escola, para que a mãe não tivesse que fazer isso depois de ele morrer, e estava a levar as suas coisas todas para casa. Ele olhou directamente no meus olhos e deu-me um pequeno sorriso. "Felizmente eu fui salvo. O meu amigo salvou-me de fazer algo inominável". Eu observava, com um nó na garganta, todos na plateia, enquanto aquele rapaz popular e bonito contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza. E vi a mãe e o pai dele a olharem para mim e a sorrir com aquela mesma gratidão. Até aquele momento eu nunca me tinha apercebido da profundidade do sorriso que ele dirigiu naquele dia. Nunca subestimes o poder das tuas acções. Com um pequeno gesto podes mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior. Deus coloca-nos a todos nas vidas uns dos outros para que tenhamos um impacto um sobre o outro de alguma forma."


Que texto tao simples e tao bonito...

E eu? O que significo para ti? Já mudei alguma coisa em ti? Para melhor ou para pior? Teve algum impacto?


Qual o nosso papel nesta sociedade? Que valores nunca devemos esquecer? Ao que devemos apelar?


Não deixes de fazer pequenos gestos, porque aos olhos dos outros podem ser grandes e significar bastante!

2 comentários:

Carina disse...

Rita...que texto lindo! adorei mesmo!
Já fiz coisas que na altura achava que não tinham a mínima importância e mais tarde as pessoas vieram agradecer-me, tal como aconteceu ao autor do texto e fiquei super feliz por ter contribuido (no meu caso para melhor) para a vida desta pessoa.
Mas também já me conteceu o contrário. Pessoas como tu já me fizeram gestos que me marcaram imenso como no dia 1 de Fevereiro de 2008, depois da festa de Carnaval, teres-me ido buscar as calças ao cacifo mesmo cansada como estavas. Ficou-me marcado porque nesse dia estava mesmo com os pés numa lástima e tocou-me muito teres ido a correr e quando o autocarro estava mesmo parado na paragem...entregaste-mas com um sorriso.
Entre este gesto que me marcou tanto e que fiquei o caminho todo a pensar no quanto és amiga, houveram tantos gestos que já me fizeste e sempre para melhor!
Um deles foi na aula de Filosofia, quando estávamos a dar o tema da liberdade, faizeste-me pensar sobre Deus e eu quando cheguei a casa, pensei muito e no final concordei contigo!!
Estava aqui umas boas horas a falar tudo o que já me fizeste.


A menina está outra vez a mostrar um dos seus dons--------> retórica


Obrigada por tudo Rita!

GMDT


A menina da telepatia e dos abraços

Adriana disse...

Ja tinha visto este texto uma vez, à uns anos, num mail que mandaram à minha irmã. Relamente é muito bonito e faz-nos pensar...
Quanto às perguntas que fazes.. olha, pra mim, significas muito. Ensinaste-me a acreditar, a não desistir, a ter força e dar força aos outros... És a melhor a ouvir e dar conselhos =D
é pena so nos vermos assim, de 3 em 3, ou 6 em 6 meses... mas o que interessa é que apesar disso continua a haver uma ligação entre nós..
continua assim ;)