sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Eu amo-vos

Tu contavas-me histórias… A do "Franganito Encantado"! Ainda te lembras? Para que eu almoçasse rápido falavas-me no Franganito, que viria tocar à campainha para ver se eu já tinha “papado” tudo!
E o meu almocinho era sempre tão bom, feito por ti com tanto Amor! A sopinha (sempre!), o esparguete com bifinhos, o ovinho mexido, e o suminho com as laranjas que espremias com tanta dedicação, com tanta alegria! Nunca nada faltou… E eu era tão feliz, com toda a tua simplicidade, com toda a tua vontade de dar tudo o que tinhas, e até o que não tinhas (é tão possível dar o que não temos!)… de te dares a ti própria!

As pipocas que me compravas sempre depois do almoço, para que eu as comesse no intervalo do lanche das aulas… as pastilhas que tanto insistias em dar-me, a sandes de queijo que tanto insistias em preparar! Tudo fazia parte… Nunca te esquecias de nada, e eu não recusava, precisamente porque “fazia parte” de ti, parte de mim já… no fundo, de nós!

E quando o avô me esperou, sentado no banco junto ao portão da escola, com a sua boina… e com um olhar de quem tem todo o tempo do mundo… De quem sempre terá todo o tempo do mundo… E eu, criança, que alegre ficava!
E quando era mesmo pequenina, as sestas que dormia na vossa casa, os lanches, os jogos que fazíamos com o avô (mesmo que raros)… E como eu gostava de “estar à janela” na vossa casa.. era o único lugar onde eu permanecia à janela… Curiosa a tudo o que passava!
E já estou a chorar, as lágrimas não param… porque eu vos amo tanto!

Porque eu quero ir ao vosso encontro... porque chegou a hora (agora mais que nunca!) de ser eu a dar, a amar-vos como tanto me amam!

Porque hoje ainda sou mais pequenina que nunca, e quero que voltes a fazer os ovos mexidos, e a espremer a laranja.. Quero que me contes a história do Franganito Encantado… Quero que o avô me espere no mesmo banco… Quero que me compres as pipocas e as pastilhas!

E hoje, avó e avô... Hoje, eu prometo retribuir-vos com ovos mexidos e sumo de laranja, prometo que irei comer tudo o que tenho no prato, prometo que ouvirei a história do Franganito Encantado pela primeira vez, e prometo abraçar-te avô, quando te encontrar naquele banco…

E pelo caminho... vamos comprar pipocas!

6 comentários:

Francisco Lopes disse...

Rita....

Todos os dias o meu avô me ia buscar a creche e eu sabia sempre quando ele estava a vir pelo modo como fazia as chaves tilintar! Depois levava-me sempre a comer caracóis! Em seguida ia para a casa dele e no caminho parava sempre numa loja de brinquedos para ver a montra! (se não me engano os brinquedos que estão lá hoje ainda são os mesmos que lá estavam há uns anos!!!)

Os avós fazem parte de nós e nunca se esquecem de nós, assim como nós nunca nos esquecemos deles!

Eles estão sempre connosco. Podemos fazer as maiores asneiras que eles não nos deixam! Só há uma explicação para isto... eles estão com Deus!

Rita, os teus avós nunca te esquecerão e pensarão sempre em ti, estejam onde estiverem. No fim vamos todos para o Lugar que Deus nos prometeu. Por um lado ficamos tristes como é normal, mas por outro, eles finalmente alcançarão a Vida Eterna e a Felicidade Eterna e nem ai, eles te vão abandonar!

Fica bem Rita...

Marco Jacinto disse...

Há muito, muito, tempo qe alguem não me fazia lembrar dos meus cinco, seis anitos...ainda bem que partilhas as tuas emuções neste blog, .....Os meus avós são duas pessoas bem, bem, não tenho palavras ...Gosto deles apenas gostáva de estar mais tempo com eles apesar de todo o tempo ser pequeno mas grande...bjs e permaneço agradecido....

Alexandre disse...

é tão bom recordar esses momentos!
Admiro-te!


Beijinhos

Ritinh@ disse...

Francisco...

Agradeço-te a tua partilha..
Os meus avós ainda vão estar aqui comigo muitos muitos anos :)
Confio que sim!

Ritinh@ disse...

Querido Marco!
é sempre bom vivermos a nossa infância, e não nos cansarmos de agradecer aqueles que nos deram tudo, numa altura da nossa vida em que éramos pequenos, e não agradecíamos...
muitas coisas nem nos lembramos que os avós faziam por nós!
Agradeçamos então pelo que somos, pelo que de nós fizeram!

Ritinh@ disse...

Alexandre,
não nos cansemos de os recordar!
E de os viver ainda hoje no presente, com aqueles que estão junto a nós!